Uma amostragem pode acarretar grandes prejuízos à mineração caso seja mal conduzida. Inclusive inviabilizar um projeto devido a erros de amostragem absurdos. Para evitar que isso ocorra, oferecemos algumas dicas para uma amostragem eficiente.
O que é amostragem?
O primeiro passo é o correto entendimento do que se trata o processo de amostragem. Segundo Góes et al., 2004, a amostragem é um processo de seleção e inferência, uma vez que a partir do conhecimento de uma parte, procura-se tirar conclusões sobre o todo.
Para que essas conclusões sejam as mais eficientes possíveis, os cuidados na amostragem minimizam as possibilidades de erros, sendo que algumas etapas mesmas devem ser respeitadas. São elas:
- Planejamento;
- Coleta;
- Quarteamento e homogeneização;
Planejamento da amostragem
Nesta etapa todo o roteiro para realização da amostragem deve ser elaborado. Considera-se a etapa mais importante do processo. O objetivo desta etapa é a eficiência máxima da amostragem, onde todos os procedimentos deverão ser vistos e revistos. Todo planejamento bem estruturado resulta em resultados satisfatórios.
No planejamento de amostragem, algumas situações devem ser observadas para uma maior eficiência, são elas:
- Quais técnicas serão utilizadas;
- Quais equipamentos serão usados;
- Volume da amostra global;
- Pontos de amostragem de incrementos para elaboração a amostra global;
- Peso/massa da amostra final;
- Etc.

Coleta
A coleta de incrementos para elaboração da amostra primária deve seguir os passos preestabelecidos na etapa de planejamento. Aqui, perguntas do tipo:
Qual o intervalo de amostragem de incrementos? Qual a quantidade de incrementos? Já deverão estar respondidas na etapa de planejamento, tornando eficiente a coletas dos incrementos.
Homogeneização e Quarteamento
Com a amostra global coletada o próximo passo será homogeneizá-la para obtenção da amostra final através do quarteamento.
Quarteamento é uma técnica que visa à redução de massa das amostras – divisão da amostra global em alíquotas com massa menor, para obtenção da amostra final de acordo com o planejamento inicial.
Os métodos de quarteamento dividem em vários tipos desde manuais a mecânicos (pilha cônica, pilha longitudinal e quarteador tipo Jones), o tamanho/peso da amostra global ou primária irá influenciar no método de quarteamento.
Destacamos abaixo alguns desses métodos.
Pilha Cônica

Utilizada quando houver um volume de material reduzido. A amostra é disposta em forma de cone e dividida em quatro partes iguais, que deverão ser numeradas de 1 a 4. Posteriormente, formam-se mais duas pilhas cônicas, onde uma pilha deverá ser formada pelas partes ímpares e a outra pelas partes pares. O processo poderá ser repetido com somente uma das pilhas caso seja necessário.
Pilha Alongada
A pilha alongada é a mais indicada para grandes quantidades de minério. A preparação desse tipo de pilha é feita dividindo-se o lote inicial em quatro regiões aproximadamente iguais.
Em seguida, atribui-se a uma pessoa a responsabilidade da retirada do minério, alternadamente, de quartos opostos (1 e 3); outra pessoa será responsáveis pelos outros quartos (2 e 4).
Essas partes devem ser distribuídas alternadamente e em sentidos opostos, formando uma pilha alongada. A seguir, essa pilha deve ser dividida em várias porções iguais e numerada em pares e impares. Divide-se a pilha ao meio no sentido longitudinal e, posteriormente, em partes iguais em seu sentido transversal.
O quarteamento é feito formando-se duas pilhas cônicas, uma com as porções de índices ímpares e a outra de índices pares. Novamente, caso necessário, o processo pode ser repetido com uma das pilhas.

Quarteador tipo Jones
Este é constituído por uma série de calhas inclinadas, ora para um lado, ora para o outro. A alimentação se faz na parte superior que tem uma forma tronca piramidal. A largura da calha deverá ser, pelo menos, três vezes o tamanho do maior fragmento.
Concluindo…
As dicas acima se referem à amostragem na etapa de lavra, sendo que as amostragens na etapa de pesquisa seguem por um caminho diferente para que haja uma boa eficiente e poucas chances de erro.
Imagem: Peter Craven
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